Títulos nos Mercados Emergentes - Questões Políticas
04 janeiro 2023
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Apoio à Política da China
Tivemos dois concorrentes fortes no gráfico diário de hoje — China e Brasil — afinal, os dois países demonstram o impacto das mudanças nas políticas governamentais nos retornos dos títulos. A reabertura da China e os esforços conjuntos para apoiar os incorporadores imobiliários após o 20º congresso do partido comunista levaram a uma grande recuperação de títulos corporativos (High Yield em particular) no final de 2022. Relatórios sobre mais apoio, especialmente para players sistemicamente importantes, garantiram a continuidade do rali nos primeiros dias de 2023, apesar do aumento das infecções por COVID e dos indicadores de atividade doméstica totalmente assustadores (como Índice de Gerentes de Compras [PMI] de não-manufatura de 41,6).
Preocupações com o populismo no Brasil
A virada política no Brasil, no entanto, está produzindo o resultado oposto. O mercado inicialmente deu ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva o benefício da dúvida, esperando que sua última “encarnação” política fosse menos populista. Mas não parece ser bem assim (a julgar pelas iniciativas de gastos e discursos de posse), o que explica a preocupação do mercado com a reversão das reformas e a expansão fiscal. Essas preocupações são fortes o suficiente para compensar o impacto de outros fatores — muito mais positivos — como taxas de juros reais muito altas no Brasil, rápida desinflação e contas externas sólidas (reservas internacionais elevadas, superávit da balança básica). Os títulos locais do Brasil tiveram um desempenho inferior aos pares do GBI-EM por uma ampla margem até o momento este ano (veja o gráfico abaixo), continuando a tendência pós-runoff. As preocupações com a política também são uma razão pela qual os preços de mercado estão em apenas 65 pontos-base de cortes nas taxas no Brasil em 2023.
Saídas de arroxo dos mercados emergentes
A combinação da Europa Central de mudanças políticas dovish (Polônia, República Tcheca) e aumentos emergenciais de taxas (Hungria) causou aflição em mais de uma ocasião no ano passado. Ainda assim, instituições fortes e uma perspectiva de arrefecimento da inflação ajudaram a tranquilizar o mercado no quarto trimestre. No entanto, a região ainda não está totalmente fora de perigo. O grande déficit duplo da Hungria (uma soma dos déficits fiscal e de conta corrente) pode exigir a emissão adicional de bonds (incluindo títulos denominados em dólares americanos), especialmente se houver mais atrasos no desembolso dos fundos da UE. Espera-se que o ciclo eleitoral da Polônia aumente o déficit orçamentário de 3,9% do PIB estimado em 2022 para 5,4% do PIB este ano, possivelmente testando o mercado e a determinação do banco central. Fiquem conectados!
Visão geral do gráfico: Brasil — No fundo do pacote de dívida local dos mercados emergentes

Fonte: Bloomberg LP.
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