Resumo do Mercado de Março: A Fragilidade Retorna, a Complacência Permanece
16 abril 2026
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Principais conclusões:
- A fragilidade global voltou a aparecer: O conflito com o Irã destaca com que rapidez as cadeias de suprimentos podem ser interrompidas.
- A volatilidade está de volta e pode ser aproveitada: Deslocamentos nos setores de energia e commodities estão criando oportunidades para posicionamentos táticos.
- A complacência do mercado está aumentando: À medida que os riscos se acumulam, nossos portfólios estão posicionados para múltiplos cenários, não apenas para os mais otimistas.
Fissuras nos Alicerces
A globalização impulsionou décadas de prosperidade. Era eficiente, escalável e deflacionário.
Até que deixou de ser assim.
A primeira rachadura ocorreu durante a COVID, quando a complexidade por trás desse sistema quebrou sob pressão. As cadeias de suprimentos paralisaram. O mundo foi lembrado de que eficiência e resiliência não são a mesma coisa.
O sistema se recuperou. O comércio foi retomado. Os mercados seguiram adiante.
Agora recebemos o segundo aviso.
O segundo choque: A Fragilidade Retorna
O conflito com o Irã expôs a mesma vulnerabilidade, dessa vez por meio de um canal diferente. Quando as potências mais fortes enfrentam a assimetria, a resposta raramente é convencional.
Desta vez, o foco é o Estreito de Ormuz.
Essa não é apenas mais uma rota de navegação.
É uma artéria vital.
Fonte: IMF Portwatch.
Quando houve aperto, o sistema ficou sob pressão.
Se fechar, o sistema quebra.
Recentemente, realizamos um webinar exatamente sobre esse tema. Ouça. Vale o seu tempo.
Antonio de Pinho, analista sênior especializado em pesquisa do setor de energia, explica por que isso não tem uma solução rápida.
Os mercados de energia estão reagindo de acordo.
Historicamente, quando os preços da energia disparam, os mercados acionários enfrentam dificuldades. Custos mais altos de energia funcionam como um imposto sobre a economia global.
Choques de energia e liquidações nos mercados coincidem
Fonte: Bloomberg; em abril de 2026. O desempenho passado não é garantia de resultados futuros. O desempenho do índice não é ilustrativo do desempenho da estratégia. Não é possível investir diretamente em um índice.
E, ainda assim, hoje as ações estão pairando perto de máximas históricas.
Isso não é coincidência. É uma declaração.
Os mercados estão apostando que essa disrupção é temporária. Que o Estreito reabrirá rapidamente. Que o sistema voltará a provar sua resiliência.
Isso pode estar certo.
Não estamos dispostos a assumir que esteja.
Reduzimos a exposição a ações em cerca de 1% em nossos modelos Wealth Builder. Isso se baseou no reconhecimento de que os riscos mudaram e de que realizar lucros em um momento de força é prudente.
A inflação voltou à pauta
Ao mesmo tempo, a inflação já não é mais teórica.
O IPC avançou para 3,3% na comparação anual, com uma forte aceleração mensal. Os índices de preços do ISM estão subindo tanto em serviços quanto na manufatura. Dados de pesquisas mostram que as expectativas de inflação estão aumentando globalmente.
Isso pode perder força no próximo mês? Possivelmente.
Mas a direção mudou, e os mercados ainda estão posicionados para o oposto.
A inflação toma um rumo na direção errada
Fonte: BLS, em abril de 2026.
A tecnologia é o verdadeiro motor
Para aqueles que ainda não têm certeza de como a tecnologia vai remodelar o mundo nos próximos cinco anos, basta olhar para este conflito. O Irã está claramente do lado errado da tecnologia.
Este não é apenas um evento geopolítico. É um estudo de caso sobre disrupção.
A tecnologia está comprimindo o tempo. Está reduzindo custos. Está mudando como o poder é projetado e como os sistemas são desafiados.
A diferença entre aqueles que se adaptam e aqueles que não se adaptam está aumentando em tempo real.
Essa é a verdadeira lição. Trata-se de usar a tecnologia como multiplicador de força.
Essa dinâmica não para no campo de batalha.
Ela se aplica a todos os setores, todas as indústrias, todas as empresas e todos os indivíduos.
Os próximos cinco anos podem apresentar desafios para aqueles que demoram a se adaptar.
A volatilidade cria oportunidade
A volatilidade cria oportunidade, e temos atuado de forma ativa.
Isso é especialmente verdadeiro para o VanEck Commodity Strategy ETF (fundo cotizado em bolsa) (PIT), uma posição dentro de nossos modelos. A estratégia do PIT foi desenhada para acompanhar o momentum e tirar proveito de condições de sobrecompra e sobrevenda.
No ano passado, nossos modelos consideravam o ouro e outros metais como sobrecomprados e energia como sobrevendida.
Então, fizemos algo a respeito.
Passamos o segundo semestre de 2025 reduzindo nossa posição em ouro e comprando energia. Compramos cestas diversificadas de posições em energia altamente correlacionadas, como WTI, Brent e óleo para aquecimento. O gráfico abaixo acompanha nossas operações de energia dentro do PIT — em verde estão nossas compras, em vermelho estão nossas vendas — ilustradas em relação aos preços do WTI no momento de nossas transações. A linha azul-clara mostra nosso peso total em energia.
Operações de energia do PIT
Fonte: VanEck, Bloomberg; em abril de 2026. Desempenho passado não é garantia de resultados futuros.
Essas compras foram financiadas principalmente com recursos provenientes de vendas de metais. Vendemos cestas diversificadas de metais preciosos e industriais, como ouro, prata e cobre. O gráfico abaixo acompanha nossas operações com metais dentro do PIT, apresentadas em comparação com os preços do ouro. A linha azul-escura mostra nossa alocação total em metais.
Operações com Metais do PIT
Fonte: VanEck, Bloomberg; em abril de 2026. Desempenho passado não é garantia de resultados futuros.
Recentemente, temos seguido na direção oposta.
Para nós, os preços da energia parecem sobrecomprados, enquanto os metais preciosos e os metais básicos parecem sobrevendidos.
Mas a oportunidade não é simplesmente direcional. Ela é estrutural.
Os mercados de commodities, assim como as ações, estão refletindo um certo grau de complacência. O formato em backwardation da curva futura do WTI reflete um mercado que espera queda nos preços da energia, com os preços dos contratos de curto prazo significativamente acima daqueles com vencimento mais à frente. Isso é ainda mais extremo em óleo para aquecimento/diesel e gasóleo europeu.
A exposição ao petróleo do PIT está concentrada nos vencimentos mais curtos
Fonte: VanEck; em abril de 2026.
Não estamos convencidos.
Realocamos uma parcela significativa da nossa exposição ao setor de energia no PIT, transferindo-a dos contratos com vencimentos mais próximos para contratos com vencimento no final do verão.
Esse posicionamento é intencional.
Caso os preços elevados da energia persistam, esse posicionamento deverá gerar benefícios. Por outro lado, se ocorrer uma resolução rápida e os preços da energia recuarem, a expectativa é que os contratos de vencimento mais próximo — nos quais reduzimos a exposição — sofram quedas mais acentuadas.
Posicionamento para Ambos os Cenários
Os mercados continuam excessivamente complacentes.
As ações estão próximas de seus máximos históricos. Os spreads de crédito permanecem estreitos. As curvas de futuros de energia apresentam uma inversão acentuada, indicando que os mercados esperam que essa situação seja temporária e se resolva rapidamente.
Estamos menos convencidos.
Nosso trabalho não é prever os resultados com certeza. O objetivo é identificar os riscos e estruturar portfólios capazes de apresentar desempenho em diferentes cenários.
Definições dos índices
O Índice S&P 500 reúne 500 ações ordinárias amplamente detidas, representando os principais setores da economia dos Estados Unidos.
O Índice Bloomberg Diesel é composto por contratos futuros de diesel e foi desenvolvido para acompanhar as variações do preço do diesel refletidas nesses mercados futuros.
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