Riscos Políticos e Ativos dos Mercados Emergentes
09 janeiro 2023
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Política no Brasil
Era para ser uma manhã calma, com reflexões sobre a desinflação dos mercados emergentes (ME) e o fim do ciclo do aperto global. No entanto, a política entrou em cena mais uma vez. Os tumultos do Brasil no domingo chocaram tanto em magnitude quanto em violência, levantando várias questões sobre a polarização política e seu impacto na governabilidade, crescimento e reformas — e sobre o tipo de exposição (se houver) que os investidores podem ter no Brasil daqui para frente. Essa não é a primeira vez que as instituições brasileiras são testadas, mas, até o momento, mantiveram a credibilidade — e há grandes chances de que o mesmo ocorra também após as manifestações de domingo. O congresso se manteve unido na condenação da violência e do desrespeito ao estado de direito. Entretanto, o que é bom para a democracia pode não ser necessariamente bom para os títulos brasileiros. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) fique politicamente mais forte após os tumultos, ele pode se sentir ainda mais encorajado a levar adiante sua agenda populista. E essa incerteza política pode representar um grande fator negativo para os ativos locais, mesmo que as tensões políticas diminuam.
Desempenho dos Títulos Locais nos Mercados Emergentes
O Brasil não é a única economia da América Latina em que a política move os preços dos títulos/ativos, muito embora o Brasil seja observado de perto devido ao tamanho do mercado e do desempenho superior dos títulos locais no ano passado (apesar do aperto da política dos mercados desenvolvidos [MD]). A Colômbia estava no extremo oposto do espectro de desempenho, sendo incapaz de se recuperar após as eleições presidenciais e agora é a única economia da região em que a inflação atingiu seu pico, enquanto o déficit em conta corrente aumentou para 6,7% do PIB no terceiro trimestre. O Banco Central está sob pressão para subir mais 75–100 pontos-base em sua próxima reunião, e o mercado, assim como um falcão, está observando o desempenho fiscal do governo (isso inclui a meta de déficit fiscal menor para 2023).
Desinflação dos mercados emergentes
O ruído político do Brasil pode desviar a atenção do histórico de desinflação (estelar) do país. O consenso prevê que a inflação global diminua para 5,6% em relação ao ano anterior. No entanto, as impressões da inflação do México foram definitivamente percebidas esta manhã. O progresso da desinflação ainda é instável, mas as principais e mais visíveis pressões de preços parecem ter atingido o pico. A taxa básica de juros do México é de 10,5% e positiva em termos reais quando ajustada tanto pela inflação passada quanto pela prevista. Os registros do Banco Central pareceram cautelosos, mas podem sim desacelerar o ritmo de alta para 25 pontos-base caso a tendência de desinflação continue. Fiquem conectados!
Visão geral do gráfico: México – Outro pico de inflação nos mercados emergentes

Fonte: Bloomberg LP.
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