BR pt-BR false false Default
Skip directly to Accessibility Notice

Compreendendo a desvalorização e suas implicações para as carteiras

10 fevereiro 2026

Read Time 6 min

A desvalorização está novamente em foco. Veja a seguir o que está impulsionando essa situação, o que poderia revertê-la e como estamos posicionando as carteiras para os dois cenários.

Principais conclusões:

  • A desvalorização cambial acontece quando moedas fiduciárias passam a perder poder de compra e a confiança dos investidores ao longo do tempo.
  • O estresse fiscal, a flexibilização monetária e o risco geopolítico impulsionam a demanda por reservas alternativas de valor, como o ouro.
  • Os ganhos de produtividade impulsionados pela IA, a credibilidade da política e a estabilidade da moeda podem reverter a desvalorização.
  • Nossas carteiras de investimento Wealth Builder combinam proteção contra a desvalorização com exposição a ativos que podem se beneficiar de uma eventual reversão.
Um investimento no VanEck Bitcoin ETF ("HODL") e no VanEck Merk Gold ETF ("OUNZ," e juntamente com HODL, os "Trusts") está sujeito a riscos significativos e pode não ser adequado para todos os investidores. O preço do Bitcoin apresenta elevada volatilidade, e há a possibilidade de perda total do capital investido. HODL e OUNZ não são empresas de investimento registradas sob o Investment Company Act de 1940 (a "Lei de 1940") e, portanto, não estão sujeitas às mesmas proteções que os fundos mútuos ou ETFs registrados sob a Lei de 1940.

Desvalorização cambial é uma expressão amplamente utilizada que ganhou destaque na mídia ao longo do último ano e é um tema sobre o qual escrevemos com frequência como parte central de nossas perspectivas trimestrais e posicionamento de carteiras modelo.

Neste blog, apresentamos a definição de desvalorização cambial, detalhamos os fatores que a trouxeram novamente ao centro dos debates, analisamos o que poderia revertê-la e mostramos como incorporamos esse equilíbrio em nossas carteiras modelo.

Desvalorização cambial diz respeito à perda de confiança e à redução do poder de compra da moeda fiduciária.

Normalmente, ela surge como resultado da expansão da oferta monetária, da flexibilização quantitativa e das baixas taxas de juros sustentadas. Essas condições corroem o valor real da moeda fiduciária ao longo do tempo por meio da inflação ou da repressão financeira. Quando o dinheiro vale menos e os investimentos em taxas fixas não compensam os investidores por esses riscos, eles tendem a buscar outras reservas potenciais de valor.

A desvalorização não é um fenômeno moderno. Ela desempenhou um papel em alguns dos maiores ciclos de expansão e recessão da história. Por volta de 64 d.C., o imperador romano Nero começou a reduzir o conteúdo de prata no denário, a moeda romana, a fim de aumentar a receita para apoiar e fortalecer seu império. Com o passar do tempo, sucessivas desvalorizações reduziram o teor de prata pura da moeda para aproximadamente 5% ao final do século III, ampliando de forma significativa a oferta monetária.

Isso causou uma inflação significativa, levando à instabilidade econômica, que foi um fator fundamental para o desmoronamento do império romano.

Pulando para hoje. Temos novas ferramentas de política, mas as mesmas forças econômicas. A desvalorização cambial costuma ocorrer quando diferentes fatores fiscais, monetários e geopolíticos se alinham e atuam em conjunto:

  • Níveis altos e crescentes de dívida soberana: A dívida dos EUA, de US$ 37 trilhões, agora excede o PIB, e a despesa anual com juros é de aproximadamente US$ 1 trilhão. Quando o serviço da dívida se torna grande e potencialmente insustentável, as pessoas perdem a confiança no devedor (nesse caso, os soberanos do G10) e vendem seus títulos ou exigem uma taxa de juros mais alta como compensação.
  • Déficits grandes e crescentes: A expansão maciça do déficit levou a um aumento na oferta de moeda durante um período de taxas de juros abaixo da média. Esse conjunto de políticas tem caráter inflacionário e reduz o poder de compra da moeda fiduciária.
  • Flexibilização monetária sustentada e baixos rendimentos reais: As baixas taxas de juros permitem que os governos gastem mais, porque isso custa menos. Quando começam a gastar, é difícil parar. Isso também é inflacionário e, à medida que um dólar adicional gasto se torna menos produtivo, os investidores perdem a confiança no governo como um alocador eficaz de capital. Quando a inflação é mais alta do que o rendimento real que um investidor pode obter com um investimento em taxa fixa, os investidores realocam o capital para possíveis ativos de reserva de valor.
  • Perda de confiança nas instituições e na moeda fiduciária: O estresse fiscal pode levar a conflitos políticos na forma de quanto gastar e em quê, o que leva a paralisações do governo e disputas partidárias. Os investidores perdem a confiança no sistema e buscam reservas alternativas de valor.
  • Incerteza geopolítica: Conflitos comerciais, tarifas e a instabilidade em países hostis ampliam a perda de confiança de um evento localizado para uma dinâmica global, levando outros bancos centrais a intervir e a diversificar suas reservas, reduzindo a dependência da moeda fiduciária e procurando alternativas.

Essas condições devem lhe parecer familiares. Atualmente, estamos observando versões de todas essas forças em curso, razão pela qual reservas alternativas de valor, especialmente ouro e prata, figuraram entre os ativos de melhor desempenho no último ano.

Com essas forças em vigor há mais de um ano, é igualmente importante considerar o que poderia mudar a narrativa.

A credibilidade fiscal retorna e a dívida se estabiliza: Uma redução consistente do déficit, seja por meio de controle de gastos, aumento da arrecadação tributária, reforma da previdência ou crescimento econômico, pode começar a compensar o acúmulo da dívida. Como os investidores começam a acreditar que a dívida pode ser paga, a demanda por reservas alternativas de valor é reduzida.

Uma produtividade forte leva ao crescimento, o que resulta em desinflação: O crescimento real decorrente do avanço da produtividade tecnológica pode ampliar a produção e a arrecadação tributária, ao mesmo tempo em que exerce pressão de queda sobre os preços. O crescimento desinflacionário reduz a dívida e torna a manutenção de títulos ou dinheiro mais compensadora.

Estabilização da moeda fiduciária: Os valores das moedas são relativos, portanto, o capital vai para onde é mais produtivo. Retornos cambiais positivos fazem com que o capital de investimento retorne aos ativos denominados nessa moeda.

Redução da incerteza geopolítica: A percepção de menor risco sistêmico reduz a demanda por reservas alternativas de valor e dá suporte à moeda fiduciária e aos ativos de risco.

A inflação retorna à meta, restaurando a credibilidade da política: A inflação baixa e persistente, juntamente com um crescimento igual ou superior à tendência, impulsiona a confiança dos investidores na política e na direção geral da economia, o que apoia os ativos de risco em relação a reservas alternativas de valor.

Assim como as condições que criam o fenômeno da desvalorização não são mutuamente exclusivas, as condições que podem reverter esse fenômeno também não são. Em vez disso, o progresso em uma ou duas dessas áreas pode reforçar as outras. Por exemplo, se os avanços da IA levarem a ganhos de produtividade sustentáveis, isso poderá agir para reduzir a inflação, apertar as condições monetárias, melhorar a sustentabilidade da dívida e impulsionar a estabilidade da moeda. Esse ciclo de reforço reduziria a demanda por reservas alternativas de valor e aumentaria a demanda por ativos de risco (ações) e investimentos em taxas fixas (títulos).

As carteiras Core e Plus Wealth Builder da VanEck são estruturadas para refletir, de forma mensurável, os dois cenários relacionados à narrativa de desvalorização cambial. Estamos oferecendo aos investidores proteção contra uma maior erosão do poder aquisitivo, ao mesmo tempo em que mantemos exposição a ativos que podem se beneficiar de uma reversão nas condições.

No âmbito da proteção contra desvalorização, há exposição a ativos reais, como o ouro, por meio do VanEck Merk Gold ETF (OUNZ), a commodities em geral via VanEck Real Assets ETF (RAAX) e a ativos digitais por meio do VanEck Bitcoin ETF (HODL). Essas alocações têm como objetivo oferecer exposição a ativos que historicamente têm sido vistos como possíveis hedges em ambientes caracterizados por inflação, repressão financeira ou declínio da confiança em moedas fiduciárias.1

Ao mesmo tempo, também possuímos ações cíclicas e de crescimento que, historicamente, se beneficiaram quando condições semelhantes melhoraram. No setor de crescimento, afastamos nossa exposição das partes mais caras do mercado e nos voltamos para os beneficiários de IA. Entre os riscos mencionados relacionados ao comércio de desvalorização cambial, os ganhos de produtividade impulsionados pela IA se destacam, e pretendemos preservar exposição a esse tema estrutural.

Em renda fixa, nossas alocações são seletivamente expostas a riscos de taxa de juros, com ênfase em títulos de taxa fixa de menor duração, mantendo inclinação para dívida não soberana de taxa flutuante, como CLOs via VanEck CLO ETF (CLOI), e empresas de desenvolvimento de negócios por meio do VanEck BDC Income ETF (BIZD).

No cenário atual, continuamos a priorizar a posse de ativos de proteção contra desvalorização e inflação, em proporção superior à média histórica, monitorando continuamente as condições que possam alterar essa dinâmica.

1 Bitcoin e ativos digitais são ativos relativamente novos em comparação com o ouro e outras commodities. Bitcoin e outros ativos digitais apresentam riscos consideráveis e podem não ser apropriados para todos os investidores; seu valor é extremamente volátil e existe a possibilidade de perda do capital investido.

1 - 3 of 3